O consultório ficou pequeno

Pegue sua xícara. Teremos um bom momento para café e um papo quente.
Estudando a evolução da medicina para ampliar meu repertório e acompanhar melhor os médicos que hoje fazem parte das minhas mentorias, encontrei uma história que me fez parar.
Em 2001, um cirurgião em Nova York realizou remotamente uma cirurgia em uma paciente que estava em Estrasburgo, na França. Mais de 14 mil quilômetros separavam médico e paciente.
Foi um marco porque, naquele momento, alguém precisou acreditar que uma distância que parecia uma limitação poderia deixar de ser.
Hoje, isso já não nos surpreende.
E talvez seja justamente esse o ponto.
Toda profissão evolui quando alguém percebe que aquilo que parecia impossível, desnecessário ou distante pode deixar de ser.
Primeiro, alguém faz diferente. Depois, alguns questionam. Mais tarde, muitos fazem. Até que aquilo que parecia ousadia passa a fazer parte da profissão.
É curioso perceber algo parecido acontecendo bem perto de nós.
Não apenas aqui, mas também aqui, em Rio Preto, alguns médicos passaram a ocupar outdoors, investir em redes sociais, produzir conteúdo e construir uma presença que vai muito além do consultório.
E, não raro, esses movimentos ainda provocam resistência dentro da própria comunidade médica.
Mas talvez valha a pena trocar a pergunta.
Em vez de “por que esse médico está se expondo tanto?”, talvez devêssemos perguntar:
O que ele percebeu sobre o mundo que ainda estamos discutindo?
Porque não foi apenas a medicina que evoluiu.
A sociedade também mudou a maneira como escolhe, avalia e constrói confiança em um profissional.
Hoje, muitas vezes, o paciente conhece o médico antes mesmo de entrar no consultório. Procura seu nome, assiste a um vídeo, lê uma avaliação, encontra uma entrevista, observa como ele se apresenta e percebe como explica aquilo que sabe.
E isso já aparece na ciência.
Um estudo longitudinal que acompanhou 11.905 médicos mostrou que a qualidade percebida do profissional e sua reputação online influenciaram significativamente a escolha dos pacientes.
Não é uma particularidade de Rio Preto.Não é uma tendência de Instagram.Não é uma questão exclusiva da medicina.
É uma transformação social.
Temos mais informação, mais acesso e mais possibilidades de contato antes de tomar uma decisão. A reputação, que antes dependia muito da experiência e da indicação, hoje pode começar a ser construída antes mesmo do primeiro encontro.
Por isso, não acredito que o médico esteja atrasado por estar aprendendo a se comunicar de forma intencional.
Talvez seja justamente o contrário.
O médico não ficou para trás. O mundo avançou mais rápido do que os modelos tradicionais de construção de reputação profissional.
E talvez aqui esteja a parte mais importante dessa conversa.
Não se trata de decidir se você deve estar no Instagram, em um outdoor ou em qualquer outro espaço de comunicação.
Trata-se de perguntar:
Se alguém que ainda não conhece o seu trabalho encontrasse você hoje, a sua comunicação faria justiça à sua competência?
Porque existe uma diferença enorme entre aparecer e se posicionar.
Aparecer, qualquer profissional pode fazer.
Posicionar-se exige entender o que precisa ser percebido, por quem, de que maneira e por quê.
É aí que a comunicação deixa de ser exposição e passa a ser estratégia.
E talvez essa seja uma das conversas mais importantes que um médico pode ter sobre a própria carreira neste momento: como fazer sua imagem, sua comunicação e seu posicionamento trabalharem a favor da autoridade que levou anos para construir.
A medicina já aprendeu a atravessar 14 mil quilômetros.
Talvez agora seja hora de perguntar:
Até onde a sua competência consegue chegar sem uma comunicação à altura dela?
É uma pergunta que merece mais do que uma resposta pronta.
Merece estratégia.
E estratégia para além da sua formação acadêmica.
Estratégia de empresário.Estratégia de dono.E, quem sabe, estratégia de DANI.
Até a próxima coluna, para mais um momento de café comigo.
Dani Ricco | Comunicação & Marca Pessoal




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