O homem que ninguém vê
- há 1 dia
- 2 min de leitura
Por que tantos parecem fortes por fora, mas estão emocionalmente esgotados por dentro?

Vivemos em uma época em que os homens são constantemente cobrados a produzir, liderar, sustentar, resolver problemas e demonstrar força. Desde cedo, muitos aprendem que chorar é sinal de fraqueza, que demonstrar medo é inaceitável e que pedir ajuda representa incapacidade. O resultado dessa construção aparece de forma silenciosa: homens que parecem inabaláveis por fora, mas que, por dentro, convivem com ansiedade, solidão, esgotamento emocional e um profundo distanciamento de si mesmos.
Para o psicanalista e hipnoterapeuta Gustavo Aria, essa realidade tem se tornado cada vez mais frequente. "O homem que ninguém vê não é fraco. Muitas vezes, é apenas alguém que passou tempo demais tentando sobreviver sozinho", afirma.
Segundo ele, o problema não está nas emoções, mas na forma como muitos aprenderam a lidar com elas. Quando sentimentos como tristeza, medo ou frustração são reprimidos por anos, eles não desaparecem. Apenas encontram outras maneiras de se manifestar.
"É comum que essa dor apareça por meio da irritabilidade, da insônia, da ansiedade, do excesso de trabalho, da dificuldade de se conectar com a família ou até da sensação de vazio, mesmo diante de conquistas importantes", explica Gustavo.
Na tentativa de aliviar esse sofrimento, muitos homens recorrem a comportamentos que oferecem uma sensação momentânea de alívio, mas que, com o tempo, podem se transformar em novas fontes de sofrimento. O consumo excessivo de álcool, a pornografia, as apostas, o uso compulsivo das redes sociais, o trabalho em excesso e outras formas de fuga emocional costumam surgir como tentativas de anestesiar dores que nunca foram acolhidas.
"Na maioria das vezes, o problema não é apenas o comportamento. É a dor que está por trás dele. Enquanto essa origem não é compreendida, a pessoa tende apenas a trocar uma fuga por outra", ressalta.
Quem costuma perceber essa mudança primeiro, muitas vezes, é a própria família. A esposa nota a ausência emocional, os filhos sentem um pai cada vez mais distante e os relacionamentos passam a ser marcados por conflitos, silêncio ou falta de presença afetiva.
"A família dificilmente espera um homem perfeito. O que ela deseja é alguém presente, disponível e verdadeiro", destaca.
Para Gustavo Aria, iniciar um processo terapêutico representa um dos passos mais importantes para interromper esse ciclo. A psicanálise permite compreender conflitos, padrões emocionais e experiências que influenciam os comportamentos atuais, enquanto a hipnoterapia, quando conduzida por um profissional habilitado e integrada ao tratamento, pode atuar como uma ferramenta complementar para acessar crenças, respostas automáticas e fortalecer novos recursos emocionais.
Mais do que eliminar sintomas, o objetivo é reconstruir a relação que o homem estabelece consigo mesmo. Aprender a reconhecer emoções, comunicar necessidades e buscar ajuda deixa de ser um sinal de fragilidade para se tornar uma demonstração de maturidade e responsabilidade.
Ao final, Gustavo deixa uma reflexão que resume essa transformação: "Você não precisa destruir sua vida para reconhecer que precisa de ajuda. A verdadeira força não está em suportar tudo sozinho, mas em ter coragem de enfrentar aquilo que dói e construir uma vida em que não seja mais necessário fugir de si mesmo."
Serviço:
Av. Brasilusa, 592 – Parque Estoril
São José do Rio Preto/SP
Contato: (15) 9 9744-4229
Instagram: @gustavoaria_




Comentários