Talento para brilhar

Conheça a história do empreendedor que usou da sua inteligência e conhecimentos, por meio de estudos, para ajudar as pessoas a se desenvolverem socialmente e financeiramente.


Foi com apenas 10 anos de idade que Danilo Ferraz deu seus primeiros passos como empreendedor. Nascido em Votuporanga, ele se mudou para São José do Rio Preto aos dois anos de idade e desde cedo já se interessava por livros e gibi. Foi nessa época que teve a ideia de juntar dinheiro para vender os livros em uma feira livre perto da casa de sua avó. Ali já se podia notar seu talento em empreender e sua vontade de ser independente financeiramente. Foi na feira onde ele teve, na prática, seus primeiros contatos e lições sobre dinheiro, fluxo de caixa e economia.


Um de seus grandes sonhos era aprender inglês e viajar mundo afora, mas sua família não tinha recursos. Nessa época, trabalhou em uma escola de inglês em troca do curso. Aos 18 anos Danilo já era fluente e foi em busca do sonho, trabalhando para uma rede italiana de navios como “bell-boy” - que na tradução literal, para o português, significa “mensageiro de hotel”, o que lhe permitiu conhecer mais de 14 países.


Depois de nove meses, trabalhando a bordo, ele decidiu voltar ao Brasil e nesse momento descobre que sua família passava por uma grande crise financeira e toda a sua economia, juntada no navio, foi gasta para ajudar sua família. Criador do Instituto Futuro Para Todos - que tem como missão democratizar o acesso à Educação Financeira nas periferias, ele diz que não se arrepende, mas conta que, naquele momento, compreendeu a importância de se dominar as finanças e prometeu a si mesmo que jamais passaria por aquela dor novamente.


Atualmente Danilo é consultor e conferencista nas áreas de finanças e Desenvolvimento Econômico. É membro da Associação Americana de Economia e, em 2017, tomou posse da cadeira número 30 da Academia de Letras do Brasil (ALB), que tem como finalidade unir escritores, artistas e cientistas brasileiros para o desenvolvimento de valores humanos, políticos e sociais. Conheça a história de sucesso de Danilo Ferraz. Acesse o QR Code para ler a entrevista.


Nova Versão: Qual a sua formação?

Sou jornalista com pós-graduação em Gestão Pública pela Universidade Anhanguera.


Nova Versão: Conte-nos um pouco como foi sua infância.

Minha vida profissional começou aos 12 anos, vendendo gibis na feira em frente à casa da minha avó. Eu sempre gostei muito de ler. Eu queria comprar mais livros e gibis, mas eu não tinha dinheiro, então eu pensei: vou juntar os que eu já tenho e vou vender em algum lugar onde tem um bom fluxo de pessoas. E esse lugar era a feira. Imprimi um papel escrito “Banca do Danilo” e comecei. Foi meu primeiro trabalho e os primeiros aprendizados sobre economia popular e fluxo de caixa, e outras coisas relacionadas à economia e finanças.


Nova Versão: Você tinha sonhos nessa época?

Sim, meu sonho era estudar inglês e morar fora do país, mas minha família não tinha condições de me proporcionar esses estudos. Com 14 anos eu saía batendo de escola em escola e dizia que eu queria aprender inglês, mas não tinha como pagar. Foi quando uma escola trocou o curso por meus serviços gerais como: pegar café, limpar a lousa, deixar as salas em ordem entre outras tarefas.


Nova Versão: Como foi sua experiência fora do país?

Com 18 anos e o inglês fluente, decidi tentar a sorte lá fora. Em Santos descobri uma agência que recrutava pessoas para Cruzeiros. Eu me candidatei para a vaga e passei. As pessoas pensam que esse trabalho é glamouroso, mas é bem puxado. Muitas vezes, cheguei a trabalhar até a exaustão. Em contrapartida, tive a oportunidade de conhecer vários países. Estive em lugares e cidades que jamais imaginei que poderia conhecer.


Nova Versão: Como foi essa experiência?

Era uma vida um pouco solitária, mas aprendi muito. Nas minhas horas vagas eu usava meu tempo para ler livros relacionados a finanças. Então, comecei a poupar tudo o que ganhava, pois eu já dormia e me alimentava no navio, então tudo o que precisava era poupar. Minha ideia era juntar dinheiro e viver a vida adulta fora do Brasil.


Nova Versão: E por que decidiu voltar ao Brasil?

Na época, tivemos uma crise econômica que veio dos Estados Unidos e afetou o mundo todo. Mas a crise também tinha chegada na casa da minha família. Todo o dinheiro que eu havia juntado entreguei para minha família pagar suas dívidas. Tinha juntado doze mil dólares, nada mal para um garoto de 19 anos. Depois concluí a faculdade de jornalismo, mas tinha algo em mente: eu precisava entender o mundo das finanças. Olhei para a situação da minha família e vi o quanto a falta de domínio sobre as finanças pode prejudicar a vida das pessoas. Então prometi a mim mesmo que entenderia de vez o jogo do dinheiro e usaria esse conhecimento para ajudar outras pessoas. Fiz meu primeiro curso de mercado financeiro aos 20 anos de idade, mas ainda não tinha muita noção de como ele funcionava e não tínhamos acesso a tanta informação como temos hoje com a chegada da internet.


Nova Versão: Foi nesse momento que decidiu criar o Instituto?

Sim! Eu queria ajudar as pessoas e contribuir com a sociedade. Quando eu criei o Instituto Futuro para Todos, ele era um pouco de tudo o que eu gostava. Um pouco de tudo o que eu acreditava. Tínhamos temas como sustentabilidade, educação financeira, mas havia também um pouco sobre educação futurista, que ensinava sobre vendas, marketing e marketing digital, entre outros temas. Com o tempo fui deixando o Instituto mais enxuto, focado mais em finanças.


Nova Versão: E como você percebeu que podia ajudar as pessoas?

Por meio da educação financeira, que está integralmente ligada à vida das pessoas. Ela pode influenciar todo o restante das nossas vidas como: saúde, educação, criação dos filhos, geração de empregos etc. Percebi que se as pessoas estivessem financeiramente estáveis e equilibradas, elas poderiam sair de relacionamentos abusivos, buscar mais capacitação e ter uma vida mais estruturada. Por exemplo, para fazer um curso de inglês, antes você precisa de casa e comida.


Nova Versão: Como você se sentiu vendo o sucesso do Instituto para Todos e a procura por consultas sobre finanças?

Eu diria gratificante. Também fiquei surpreso com a grande procura por um tema que eu pensava ser muito estéril, muito frio. Achava que as pessoas não iam se interessar. Acredito que ainda existe certo “tabu”, quando se fala em dinheiro, seja por sensação de incapacidade, insegurança ou por querer ser discreto, pois pouco se fala sobre dinheiro. Notar o quanto as pessoas estão abertas a isso me surpreendeu. Gosto de abordar esse tema de uma forma muito humanizada e entender o problema dessas pessoas. Na vida financeira existem estágios, porque não posso chegar falando de investimentos e inflação para uma pessoa que ainda não conseguiu identificar o quanto ela gasta no mês. É muito gratificante ver a evolução dessas pessoas e testemunhar suas transformações.