Um olhar para o inteiro

Joelma Caparroz explica sobre a importância do acompanhamento psicólogo em pessoas com autismo


Durante algumas décadas, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem sido alvo de estudos, mas, apesar disso, o diagnóstico ainda é complexo, devido às inúmeras caraterísticas comportamentais de cada indivíduo.


O TEA é marcado por perturbações do desenvolvimento neurológico, tendo, como principais características, a dificuldade de comunicação e socialização e o padrão de comportamento restritivo e repetitivo. A psicóloga Joelma Caparroz, do Instituto Vida, explica que a maioria dos pais chegam muito ansiosos frente ao diagnóstico do autismo, carregados de dúvidas, muitas angústias, tristezas e, muitas vezes, até com sentimento de luto. “Alguns demoram a acreditar que os filhos são autistas, ou seja, demoram em crer no diagnóstico. Geralmente, esses pacientes chegam encaminhados por um médico ou neuropediatra. É importante ressaltar que o diagnóstico e tratamento requer uma equipe multidisciplinar. Em alguns casos, podemos precisar de profissionais como fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais para um tratamento mais eficaz.”


Joelma ainda esclarece que cada pessoa é única e possui sua própria particularidade, apresentando graus diferentes de autismo. “O diagnóstico requer uma avaliação minuciosa sobre a situação em que o paciente se encontra. É muito importante o papel do psicólogo, mas também é de extrema importância o apoio familiar. Esse apoio ajuda a entender e discutir o diagnóstico apresentado, além de lidar com os sentimentos presentes em todos aqueles que têm filhos com autismo. Isso também ajuda a envolver os pais no tratamento do paciente, colocando-os como auxiliares do desenvolvimento dos filhos, realizando atividades domiciliares, nas escolas ou em grupos, tornando-os responsáveis também pelo sucesso no tratamento. ”


Diga não ao preconceito!

A psicóloga ainda comenta que a maioria dos pais chegam com ideias preconcebidas e preconceitos com relação ao TEA, ou com uma preocupação excessiva do filho em relação ao futuro. “Podemos classificar o autista verbal e não verbal, o autista com deficiência intelectual e o autista sem deficiência intelectual. Ainda dentro dessas nomenclaturas, temos o nível I, II e III, no qual requer um pouco mais de cuidado. Alguns casos podem até exigir tratamentos com medicações. Mas, sempre digo aos pais que recebem o diagnóstico: agora temos luz e podemos tratar. Porque antes, se identificava alguns comportamentos, mas não se sabia quais eram as causas.”

Joelma explica que, com o tratamento, as crianças podem melhorar muito e, na maioria dos casos, podem até levar uma vida, consideravelmente, normal. “Percebo que ainda existe muito essa confusão do autista, como se ele não fosse conseguir ser alfabetizado, entre outras coisas de uma criança padrão".


Terapia ABA

A terapia ABA consiste no ensino intensivo das habilidades necessárias para que os indivíduos diagnosticados com autismo se tornem independentes e tenham a melhor qualidade de vida possível. Essa terapia é considerada, atualmente, um dos trabalhos mais eficazes para pessoas com autismo. Ajuda a construir essa autonomia junto à criança e junto aos seus familiares e a escola. “A criança vai aprender por repetição e contingência, para que possa, com tempo, ter sua própria autonomia e desenvolva suas capacidades que precisam ser trabalhadas.”.

ABA é uma sigla que vem da língua inglesa que significa “Applied Behavior Analysis”, ou, em português, análise do comportamento aplicada. O método é a forma de intervenção mais bem-sucedida para crianças com algum desenvolvimento atípico, por isso é indicado a pessoas autistas. “Vale ressaltar que, quando existem dúvidas com relação ao diagnóstico, é muito importante encaminhar esse paciente para a terapia ABA, pois são protocolos confiáveis para que possa se chegar, com segurança, à conclusão do diagnóstico. ”


Joelma Caparroz

Psicóloga – CRP 06/103688

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São José do Rio Preto/SP

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