Os reflexos da pandemia podem ser devastadores para a oncologia nacional


Enfrentamos o pior momento de saúde no mundo!

Já são 18 meses desde os primeiros casos de COVID no Brasil. Inicialmente, pensava-se que seria curto o período de distanciamento social com a possibilidade de retorno à “rotina”. Com isso, muitos advogaram que os sistemas de prevenção ao câncer poderiam esperar, principalmente nos tipos menos agressivos.

Falando mais da minha área que é a urologia oncológica, muitos artigos relatando que o atraso no tratamento em tumores de próstata localizados não teria implicações em termos de recidiva ou progressão do tumor. No entanto, isso gerou uma cadeia de subdiagnóstico geral, implicando em queda absurda no diagnóstico de todos os tipos de cânceres no Brasil. Para se ter uma ideia, temos estimativas que houve redução em 26% no diagnóstico de tumores de rim, próstata e bexiga. Algumas casuísticas mostraram redução de 52% nos casos de câncer de bexiga em comparação com anos anteriores. Como disse, existem tumores indolentes, porém tumores agressivos não podem esperar tanto tempo!

O câncer de bexiga, em sua maioria, é diagnosticado através da investigação de pessoas com sangramento na urina visível, e sem sintomas de dor. Ou seja, existem pessoas urinando sangue e que não realizaram a investigação de um tumor grave e dessa forma não estão chegando a tempo em centros oncológicos de referência.

O tumor de bexiga, por exemplo, se em estágio mais avançado, quando atinge a camada muscular da bexiga, não pode aguardar mais de 3 meses para se ter tratado, podendo se tornar incurável. Para piorar, esse mesmo câncer de bexiga avançado, caso ficar sem diagnóstico ou tratamento em 2 anos, a mortalidade chega a 85%.

Infelizmente, temos visto muito casos de cânceres que poderiam ter sido curados, agora já em fase mais avançada. Sabemos da gravidade do coronavírus, porém os pacientes oncológicos não sumiram e os tumores estão sem diagnósticos. Existe o medo de contrair o COVID, mas infelizmente temos que pesar os riscos... e só o médico sabendo e avaliando os sintomas de seu paciente poderá ajudar nesse peso. Voltando ao sangramento vivo na urina... este não pode esperar, o médico deve ser consultado o quanto antes!



Dr João Paulo Pretti Fantin

CRM 147005SP- RQE 68415