Dr. João Gomes Netinho


A revista Nova Versão entrevistou um dos mais conceituados médicos cirurgiões do interior paulista, Dr. João Gomes Netinho. Ele nos conta um pouco de sua trajetória profissional, estudos, família e lazer. Formado em 1976 pela primeira turma de Medicina de São José do Rio Preto - FAMERP, também é Professor adjunto do Departamento de Cirurgia na mesma universidade. O médico teve relevante atuação ao criar o serviço de Coloproctologia, que anos mais tarde foi transformado em disciplina. Em 1990 criou o programa de Residência Médica e Coloproctologia, esse, que forma três profissionais especialistas todos os anos, vindos de todos os estados do país. Também acumula os cargos de Chefe de Disciplina de Coloproctologia e Chefe do Departamento de Cirurgia. É Mestre pela FAMERP, Doutor pela UNICAMP e um dos médicos de maior projeção na sua área. Foi Presidente da Associação dos coloproctologistas do Estado de São Paulo (ACESP), tendo realizado um grande congresso em Campinas. Ainda, tem importante papel na Sociedade Brasileira de Coloproctologia e uma admirável história no desenvolvimento da especialidade em todo o Brasil. Onde o Dr. João Gomes Netinho nasceu? Venho de uma família de portugueses, nasci em Portugal, mas meus pais se mudaram para o Brasil quando eu tinha quatro anos. Algum tempo depois meu pai me naturalizou como brasileiro, mas por muito tempo eu tive sotaque português, ele revela, aos risos. Como o Sr. ingressou na faculdade de São José do Rio Preto? Na época eu estava na cidade de Santos/SP, onde minha família morava. Fiz inscrições para algumas faculdades e, nesse intervalo, comprei um jornal e fui passar o dia na praia. Quando abri o jornal para a leitura vi um anúncio que dizia: São José do Rio Preto, 64 vagas, 40 matriculados e as inscrições se encerram em dois dias. Ao terminar de ler o anúncio falei com um colega e fomos depressa para São José do Rio Preto. Então, após os exames, ingressamos em Medicina pela FAMERP. Anos mais tarde, para minha surpresa, o Dr. Braile, que atuava na comissão e seleção das provas, me contou que eu fui o primeiro colocado nos testes de avaliação da faculdade - e eu o questionei: - Mas só agora que o Sr. me conta? Poderia ter melhorado meu “ego” naqueles dias... (e rimos muito). O que o levou a escolher a Medicina? Desde criança sonhava em ser médico. Eu não queria ser apenas médico, desejava estar entre os melhores médicos. Acredito que realizei todos os meus sonhos porque estudei e me dediquei muito. Além disso, eu nunca mais parei de estudar, a medicina nos “obriga” a buscar excelência.

Em que momento formou sua família? Casei-me em 1975, com minha esposa Alice, na época ela era professora. Tivemos nossos três filhos, a Cristiane, a Eliane e o Henrique. Graças a Deus todos estão encaminhados, eles são tudo na minha vida. É uma alegria quando estamos todos reunidos, eles estão em primeiro lugar na minha vida. Família é tudo. O que a profissão significa para você? Tudo! Almejava ser cirurgião e me tornei um. Meus objetivos foram baseados em muito estudo para aprimorar todos os meus conhecimentos. Por diversas vezes, meus filhos presenciaram longas horas de estudo no meu escritório madrugada afora, mas não me arrependo. Noto que o mundo está mudando muito, mas gostaria que os médicos atuais atendessem os pacientes com o mesmo carinho e cuidado que os médicos da minha geração. Qual foi o seu maior aprendizado nesta pandemia? Acredito que a maior lição é que todos somos seres passageiros, ou seja, hoje estamos aqui e agora, mas amanhã podemos não mais estar. Fazendo um link com a pergunta anterior, preocupa-me a quantidade de jovens no Brasil afetados pela depressão em decorrência da pandemia. Precisamos ficar atentos à saúde mental, nunca se viu tanta procura por antidepressivos e um aumento tão significativo pelo consumo de bebidas alcóolicas. O que costuma fazer nos seus momentos de lazer? Gostava de jogar tênis, mas foi necessário dar uma pausa. Tenho feito caminhadas aos sábados, em especial nos fins da tarde. Gosto também de ir ao clube médico onde encontro alguns colegas. Gostava muito de jogar futebol, mas meus hábitos mudaram um pouco. E, claro, adoro me reunir com minha família nos finais de semana. Nos momentos de lazer procuro me atualizar com relação a tudo. Como você analisa a saúde em São José do Rio Preto? A cidade de São José do Rio Preto possui uma medicina de boa qualidade e a nossa cidade é uma grande referência como centro médico. Recebemos pacientes de toda a região noroeste, bem como de alguns estados vizinhos. O Hospital de Base já chegou a atender mais de 17 estados brasileiros. Qual a sua mensagem para a nova geração de médicos? Primeiro diria que devemos nos preocupar com a absoluta qualidade de todo o nosso trabalho. É o nosso dever não apenas atender aos pacientes, mas resolver todos os seus questionamentos. Também eu diria que não podemos pensar somente em dinheiro, na medicina, pois isso nos impede de avançar como seres humanos e profissionais. Temos que, acima de tudo, cumprir com o objetivo da nossa profissão, tratar com ética e eficiência todas as pessoas. Em relação aos novos profissionais, eu aconselharia a buscar o máximo de conhecimento possível, isto é, ofereça algo complementar para ajudar os seus pacientes, procure ser diferente, traga inovações, busque por algo novo. E, principalmente, preocupe-se com a saúde de todos, sem distinção.